Você consegue imaginar a Iconografia antes da
“Era Digital”?
“Era Digital”?
Pois é, ela existiu!
Um período que somente as Bibliotecas e poucas Agências
de Imagens faziam parte do cenário.
Acho que podemos chamá-la de “Era Analógica”, na qual as
ferramentas existentes eram uma internet discada, sem DVDs, pendrives ou
programas de transferência de arquivos.
Sabe como funcionava?
O Editorial encaminhava o texto, com os pedidos do autor
e a solicitações do Editor.
Ao ler o texto, fazíamos quatro ou mais listas (pautas)
com as imagens á serem pesquisadas em:
Agências de
Imagens Internacionais, Nacionais e Jornalísticas, Bibliotecas e Instituições.
Com as listas prontas, de posse do maior grau de
descrições possíveis das imagens, seguíamos as metodologias distintas de acordo
com os padrões de cada fornecedor.
Por exemplo, algumas Agências Internacionais tinham
catálogos, com as fotos codificadas, onde podíamos selecionar as opções e
pedirmos para enviarem os cromos.
Entretanto, o material impresso não representava a
totalidade dos acervos das empresas.
A maioria dos casos, precisávamos fazer uma descrição do
que era preciso e as Agências nos enviam cartelas e mais cartelas de cromos com
as opções para a compilação e edição da pesquisa.
Aqui cabe ressaltar que nem sempre o autor ou editor eram claros em seus pedidos, mas o acesso aos textos nos salvava (vide artigo disponível abaixo), sem deixar de mencionar o relevante apoio das Agências contribuía e muito para um bom resultado.
Quando se tratava de Bibliotecas e Instituições (o que hoje ainda se aplica, já que nem todo o acervo é digitalizado), íamos até o lugar, pesquisávamos livro por livro, até encontrarmos a imagem em domínio público de qualidade para reprodução. Pedíamos autorização para a Biblioteca e agendávamos com o fotógrafo, para fazer as reproduções pesquisadas.
Uma vez finalizado o processo de captação de material fotográfico, fazíamos uma pré-edição dos cromos, para apresentar pelo menos cinco opções de imagens para o autor e editor.
A responsabilidade do profissional de iconografia em
relação aos cromos era muito grande.
Vocês podem imaginar que no caso de extravio ou danos ao
cromo, existia uma multa contratual no valor de R$ 3.000,00? Portanto, tanto o check-in e o check-out das cartelas de cromos eram tensos.
Era comum em uma pesquisa de 100 imagens, gerarem cerca
de 500 cromos, portanto, estamos falando na soma de R$ 150.000,00, na mão do
profissional em uma simples pesquisa.
Uma vez feita à reunião com o autor e editor, fechava-se
a pesquisa, separando-se os cromos aprovados, fazíamos a pauta final, com todas
as informações da imagem: local, data, informações complementares, créditos a
serem aplicados, e assim encaminhados para o Bureau. Informávamos ás agências quais imagens tinham
sido aprovadas e quais estariam devolvendo de imediato. Posteriormente, devolveríamos as demais,
quando liberadas pelo Bureau. E para fechar a conta do fluxo de entrada e
devolução de cromos? Dava dor de barriga!!!!
"Era Digital" - novas
ferramentas, velhas histórias.
Muitas vezes, os autores nos apresentam pedidos de
imagens, com uma referência visual (recorte de Revistas, Jornais, folhetos e
etc.), porém sem qualquer informação de origem, data, procedência, apenas a
imagem. Isto me remete a um pedido de um
afresco egípcio (pintura na parede), o que me levou a uma incrível e longa
”viagem” a todas as tumbas do Vale do
Reis, até encontrar a imagem mencionada no texto do autor.
Situação ainda comum na atualidade, principalmente,
quando a fonte primeira são Blogs, pois estes não tem a preocupação de creditar
as imagens. Muitas delas, por vezes foram produzidas pelo próprio blogueiro,
que até mesmo autorizando-as, não as tem em alta definição, não tento qualidade,
portanto, para impressão.
O mesmo acontece com as imagens históricas, nas quais
além de gerar matrizes de qualidade para reproduções devidamente legalizadas,
precisamos encontrar informações de fontes confiáveis, que agreguem elementos
para Editores e Autores, criarem suas legendas com substância.
Em um mundo de informação, quem você respeita?
As ferramentas de busca e as redes sociais vieram
contribuir muito para o nosso processo de trabalho.
No entanto, é um grande facilitador de risco. “Critério” ainda é a palavra chave! Escolher
fontes de informações confiáveis independe da vida digital, analógica ou
impressa.
Os programas de busca nos oferecem uma grande variedade
de imagens em altíssima resolução, onde eles não se responsabilizam pelas
postagens das mesmas por seus usuários, e deixam isto bem claro!
E neste caso, não
importa quem postou, mas sim que as utilizou de modo indevido, que assume o
risco processual de Direitos Autorais, pois quem tem mais poder, no caso
empresas e editoras podem sair perdendo.
Neste caso, fica o conhecimento do profissional de
iconografia para avaliar os caminhos hipotéticos de pesquisa, o tempo
disponível para a investigação, e possibilidades de substituições do pedido
original, caso não seja encontrado, e eliminação dos riscos judiciais.




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