O catador de figurinhas chega a seu trabalho e recebe uma
lista de imagens solicitadas, da qual dificilmente sabe a que se destina. Ele
liga sua máquina, vai buscar o café e se interar das novidades do dia,
enquanto em sua tela abre automaticamente
a página de sua ferramenta predileta de busca, e ali, naquele buraquinho
mágico, a janela para o mundo, coloca a palavra-chave da primeira imagem da lista
“Abacaxi”! Clica em ” Imagens”, recebe uma nova página com muitos “Abacaxis”!
Abacaxis para ele, para o texto, editores , mas principalmente, para a empresa!
E claro, o primeiro abacaxi, está mais do que ótimo! Não tem importância se o
Abacaxi tem nome próprio, se está contextualizado, se tem dimensão para
impressão ou uso digital, Direitos Autorais (nem pensar), e tão pouco se é uma
ilustração ou uma foto. Na lista está escrito: “imagem de um abacaxi”. E escorregando na banana, ele vai colhendo
todas as imagens de frutas que estão em sua lista, pois se está na internet, dá para fazer a feira toda. Mas, aí chega a vez do “Pepino”! Ele pode ser
grosso ou fino? Brasileiro ou japonês?
E
pior de tudo: ele pode ter dono, como todo o resto da feira!
E ai?
As imagens serão aplicadas juntas?
Existe alguma
identidade estética entre elas?
Qual a intenção da aplicação destas imagens?
Estes não são problemas do catador de figurinha, que
precisa somente terminar sua lista.
Ema, ema e ema cada um com seu problema!
Depois de publicado, seja impresso ou digitalmente, o
editor, o autor e a empresa que se
virem!
E o pepino?
Bem, ele, é todo seu!
Ana Cristina Melchert


